Adab e Polícia Militar agem com violência contra agricultores/as familiares em Várzea da Roça
Na manhã desta segunda-feira, 12 de dezembro de 2016, dia de feira
tradicional no município de Várzea da Roça – BA, agricultores/as
familiares foram surpreendidos/as com ações violentas praticadas pela
Adab (Agência de Defesa Agropecuária da Bahia) e a Polícia Militar do
estado. Os/as agricultores/as familiares estavam chegando, como de
costume, para comercializarem seus produtos na feira livre por volta das
7h quando foram abordados/as pela Adab e por uma blitz policial.
Segundo ofício enviado ao Governador da Bahia, Rui Costa, pelo Conselho
de Segurança Alimentar e Nutricional da Bahia (Consea – BA), a Adab se
posicionou antes da entrada da Feira livre com o aporte policial e
iniciou a blitz, revistando os/as agricultores/as e confiscando suas
mercadorias: “pegaram suas mercadorias, jogaram-nas no chão, destruíram
várias dúzias de ovos, carnes de porco, bode e galinhas. Como se não
bastasse, trataram os agricultores como criminosos, humilhando-os com
deboches, além de destruir toda a mercadoria na frente dos mesmos,
levando-os às lágrimas, ao invés de orientá-los”, denuncia a nota.
A informação foi confirmada por Agnaldo Rocha, integrante da União das
Associações de Várzea da Roça (Unovar), que presenciou a ação da polícia
e da Adab nas primeiras horas da manhã de hoje. “Só de um agricultor
foram aprendidos 135 quilos de carne suína. Uma verdadeira ação
policial, que parecia ser contra criminosos, mas foram contra
trabalhadores”, informou Agnaldo, citando também que além da apreensão
das carnes, os agentes também destruíram outras mercadorias, humilhando
as/os agricultores/as familiares, além de não informarem o destino dos
animais vivos que foram apreendidos. Para Agnaldo esta ação violenta
impactou não só na economia destas famílias, que na sua maioria tem como
fonte de renda a comercialização destes produtos, mas também a moral.
O comunitário conta que o clima na cidade é de apreensão, tristeza e
revolta, principalmente para as famílias que foram vítimas e a população
que usufrui dos produtos oriundos da agricultura familiar no município.
“Eles trazem os alimentos para vender na feira e a gente vai para a
feira para comprar... outro agricultor disse que trouxe a galinha para
vender e comprar outros produtos, ele perdeu a galinha e voltou para
casa de mãos vazias...”, contou Agnaldo. Na feira tradicional do
município são disponibilizados pelo setor da agricultura familiar a
maioria dos produtos, principalmente, de origem animal, que alimentam a
população local.
Para o Consea é preciso existir a inspeção sanitária, mas que para isso
seja respeitada a dignidade humana e que o Governo do estado avance e
realize “as adequações necessárias em sua legislação e na execução da
mesma pelos órgão responsáveis, como a Adab. Faz-se necessária a adoção
do diálogo cooperativo e formativo entre as instâncias de governo e os
agricultores familiares, para estabelecer acordos e encontrar caminhos
de resolução dos problemas, de forma digna, respeitosa e solidária”,
defendem em nota. Neste caso não houve diálogo, “o que o pessoal mais
dizia é: 'que a gente não roubou e não matou, a gente não cometeu crime
algum pra ser tratado dessa forma'. O cara que perdeu as carnes, perdeu
também dinheiro para fazer cinco, seis feiras para alimentar a família.
Eles tem feito isso direto aqui nos municípios da região”, denuncia
Agnaldo.
Em contato com a Adab, o coordenador da Regional de Miguel Calmon, André
Rios, negou ter havido intenção de humilhar as/os agricultores/as
durante a operação que, segundo ele, são ações que fazem parte do
cumprimento da legislação. “É uma iniciativa orientada e determinada
pelo Ministério Público, uma vez que todos têm conhecimento que é
terminantemente proibido abate sem fiscalização ou acondicionamento
adequado de produtos de origem animal, obedecendo a portaria 304/1996”,
disse André Rios.
A agricultura familiar no Brasil garante 75% dos alimentos que vão às
mesas dos/das brasileiros e brasileiras. Na maioria dos municípios, nas
feiras livres já é tradição a comercialização de ovos, carnes de
caprinos, ovinos, bovinos, galinhas e seus derivados. No entanto, a
legislação existente não garante acessibilidade para que o/a pequeno/a
produtor/a atenda às exigências legais. Ações como esta desequilibram a
economia local, ferem a dignidade humana e passam por cima dos
princípios de sociedade democrática e justa.
Clique aqui e leia na íntegra o ofício enviado pelo Consea BA ao Governador do Estado, Rui Costa
Texto: Comunicação Irpaa
Foto: Ilustrativa/Divulgação
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