Supremo suspende mandato e afasta Cunha da presidência da Câmara
Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram nesta
quinta-feira (5) por unanimidade suspender o mandato do deputado federal
Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e afastá-lo da presidência da Câmara dos
Deputados. A decisão acontece quase cinco meses depois do pedido do
procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Votaram contra Cunha todos
os 11 ministros da Corte.
A decisão do STF mantém liminar expedida nesta manhã pelo ministro Teori
Zavascki. Cunha é réu de processo na Corte por crimes de corrupção e
lavagem de dinheiro, acusado de receber 5 milhões de dólares em propina
em esquema que é apurado pela Lava Jato.
Respondendo a críticas que têm circulado pelo país, o ministro Ricardo
Lewandowski justificou a demora da Corte em ponderar o caso. "O tempo do
Judiciário não é o tempo da política e nem é o tempo da mídia. Temos
ritos, procedimentos e prazos que devemos observar", declarou. "Não há
qualquer ingerência no Poder Legislativo. Estamos atuando dentro dos
lindes de nossa competência e nossa ação jurisdicional", disse.
Acusações
O pedido da Procuradoria Geral da República, de dezembro, acontece por
conta de uma acusação de que Cunha usava seu cargo como presidente da
Câmara para obstruir investigações contra ele no âmbito da Lava Jato.
Foram onze pontos citados pelo procurador Rodrigo Janot para justificar o
afastamento de Cunha da posição.
Entre os pontos, estão a convocação da advogada Beatriz Catta Preta para
depor na CPI da Petrobras, os pedidos de quebra de sigilos de parentes
de Youssef, o projeto de lei que restringe delações premiadas, entre
outros.
Em sua decisão desta manhã, Teori afirmou que Cunha permanecendo no cargo seria um risco para as investigações.
Com o afastamento de Cunha, Waldir Maranhão (PP-MA) assume a presidência
da Câmara interinamente. Ele também é investigado pela Lava Jato.
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